A noção de que o ser humano é um ser conectado (homo dictyous)  faz com que a nossa percepção de mundo seja diretamente influenciada pelo outro.

Alguns de nossos gostos pessoais, por exemplo, podem ser por coisas que são mais desejáveis quando outros também as desejam. Em outras palavras, certas coisas nos parecem melhores e mais valiosas quando outros também têm a mesma percepção sobre elas, e isso torna-se ainda mais forte na medida em que é espalhado pelas redes sociais.

É nesse apelo que se baseia o consumo. O sociólogo Zygmunt Bauman afirma que “o que caracteriza o consumismo não é acumular bens (quem o faz também deve estar preparado para malas pesadas e casas atulhadas), mas usá-los e descartá-los em seguida a fim de abrir espaço para outros bens e usos.”

E quando a variedade não parece satisfatória, é a velocidade com que se troca as coisas que vai suprir a carência do consumidor. Você realmente precisa do último celular lançado? Pouco importa. Importa é manter-se em movimento. E com um  celular à mão, você nunca está fora ou longe, e sim envolto em uma teia de chamadas e mensagens.

Para Bauman, o tipo de relação que as pessoas da “vida moderna” estabeleceram entre si faz com que o fato de trocar mensagens é que seja importante, não o conteúdo dessas mensagens em si.

Como as redes sociais permitem esse “estar perto” mesmo estando longe, e permitem também cortar essas conexões a qualquer tempo, pode-se cair no jogo fácil de ficar online o tempo todo mas sem realmente compartilhar conteúdos relevantes.

Para muitos, pode parecer simples diversão. Para os mais alertas, é puro desperdício de tempo. A internet é uma ferramenta rica demais para que não saibamos aproveitar bem todo o conhecimento que ela nos possibilita.