O italiano Italo Calvino escreveu um livro chamado “Cidades Invisíveis”, em que o viajante veneziano Marco Polo relata ao imperador Kublai Khan os detalhes de todas as cidades que visitou no vasto território do conquistador mongol. Empresto um conselho de Marco Polo a Khan: “De uma cidade, não aproveitamos as suas sete ou setenta e sete maravilhas, mas a resposta que dá às nossas perguntas”.

Fico curiosa então de saber que perguntas são essas que fazemos em Santa Rita do Passa Quatro, Gaspar, Vitória de Santo Antão ou Rio de Janeiro, cidades tão distantes e diversas que nem parecem fazer parte do mesmo Brasil. E se as respostas que elas nos dão são para nós ou se fazem parte do imaginário popular.

É certo que o Rio de Janeiro, por exemplo, tem uma aura que extrapola os cariocas, que atrai visitantes de muitos cantos (e países), mas como? Suas belezas naturais ajudam, claro. Mas o branding também. Quem não lembra do Cristo Redentor, Pão de Açúcar, Maracanã, Copacabana e Ipanema?

Você vai à praia no Rio e espera ouvir o cântico dos ambulantes, que é quase uma reza: “bisshhhcoito Globo”, “é o mate limão geladinho”, “sanduííííche naturaaaaal”. Espera ver o aviãozinho que reboca uma faixa de publicidade logo ali sobre o mar. Espera se apinhar entre a multidão na areia e não se importar que o próximo esteja a no máximo um metro de você, nos domingos de verão.

Essas coisas todas são a cara do Rio. O Rio é a marca que construiu para si.

Pode até ser um pouco ofuscada hoje pelas guerras de traficantes de drogas e outras barbaridades, mas ainda assim é uma marca mundialmente reconhecida. Isso nada mais é do que marketing adequado, levado a cabo por cada habitante da Cidade Maravilhosa. Bem parecido com o que a Bahia fez.

Foto: Paula Montes