2010
inovação , planejamento | Tags: bounding box, gestão de projetos, inovação, produto, stage gate
O mundo cobra das empresas e das pessoas, o tempo todo, que elas sejam criativas e inovadoras. Que lancem produtos revolucionários, que tenham ideias brilhantes, que saiam na frente.
É uma pressão sem tamanho.Principalmente porque a questão não é somente ter uma ideia, mas ter certeza (de antemão, mesmo que ela mal tenha nascido) do sucesso dela. Essa fase de “dever de casa” é crucial, porque é aí que se deve responder questões-chave como: Esse produto é atrativo? Vai vender o suficiente e com boa margem para justificar o investimento em seu desenvolvimento e comercialização? Como deve ser o produto para que ele tenha um diferencial e seja bem-sucedido? Dá para desenvolver o produto a um custo razoável?
Uma ideia que é bem útil para reforçar a confiança das empresas e aliviar o risco do investimento é o chamado “funil da inovação”. É um modelo de trabalho conhecido como stage-gate investing, ou investimento em estágios.
Os pioneiros nesse tipo de visão foram os empreendedores que buscavam petróleo no deserto americano, que não tinham nenhuma certeza, ao perfurar poços, sobre quais produziriram petróleo e quais seriam fracassos retumbantes. Mais tarde, o processo foi aprimorado por venture capitalists (investidores de risco), que tateavam no escuro para tentar chegar ao lucro combinando fatores como tendências de mercado e comportamento dos investidores.
Há quatro etapas nesse processo.
Com o processo de investimento em estágios, uma ideia pode ser vetada em determinada fase se usarmos uma espécie de “seleção natural”. Assim, os maiores aportes financeiros são feitos somente depois que uma ideia já foi considerada, com folga, não arriscada.
Uma variação mais moderna do stage-gate é a bounding box, que é mais ou menos a delimitação de um espaço dentro do qual as pessoas podem se mover e criar, mas respeitando certos limites críticos, como orçamento, performance esperada do produto, data do lançamento etc. A equipe fica livre para ir adiante, desde que não extrapole a “caixa”. Se isso acontecer, o gerente do projeto deve avaliar se vale a pena continuar, e é essa avaliação que vai determinar uma reconfiguração da “caixa” e dos fatores limitadores.
O objetivo é que o funil e a caixa sirvam como filtro para separar as grandes ideias daquelas que são fracas, não combinam com a estratégia da companhia, não têm a ver com a marca ou simplesmente são vistas como de curta duração. Em suma, ao reduzirmos o risco, temos menos medo de falhar e com isso ficamos mais soltos e confortáveis para criar.
Postado por Mariela Castro





3 Comentários
[...] This post was mentioned on Twitter by Mariela Castro, Mariela Castro. Mariela Castro said: Como minimizar os riscos ao lançar uma ideia inovadora > http://is.gd/7WlU6 (novo post no meu blog) [...]
Beleza, Mariela.
Agora já não sei se você é uma consultora de comunicação ou se também é uma estrategista em marketing e analista de projetos complexos. Que você comunica muito bem, isto comunica! Você possui um aspecto muito positivo para quem comunica: Você expressa com suavidade.
Tenho um projeto que precisa passar por este funil e, também, precisa passar pela prova da caixa delimitadora.
O projeto, por seu propósito, é excelente e justo. Só que precisa ser apreciado por quem mais deva vê-lo aplicado e não estou conseguindo convencer estas partes interessadas a me ouvirem. Estou cônscio da necessidade do funil e da caixa delimitadora tão quanto estou da validade do projeto. Meu problema é que não estou sabendo bater nas portas das partes interessadas.
Augusto,
bem, de fato, sou de tudo um pouco… rs. Principalmente, me interesso por diferentes assuntos e é por isso que também posso oferecer um pouco desse conhecimento para as pessoas, por meio da minha consultoria. Sobre o seu projeto, um primeiro passo é você identificar quem são realmente os potenciais investidores, ou quem pode comprar a sua ideia. Às vezes a gente tenta vender pra quem a gente acha que tem dinheiro e interesse, e esquece de olhar para o lado e ver outras possibilidades. Outro ponto é ter uma boa história para contar. Pergunte-se se os seus argumentos estão convincentes, organizados, consistentes. Se é fácil ver o que se tem a ganhar com o seu projeto no final. Se a sua história é atraente, simples, criativa, memorável. Se você tem certeza acerca do seu projeto, apenas observe se a roupagem dele é que o está desmerecendo em vez de ajudar a construir uma imagem positiva.