O mundo cobra das empresas e das pessoas, o tempo todo, que elas sejam criativas e inovadoras. Que lancem produtos revolucionários, que tenham ideias brilhantes, que saiam na frente.

É uma pressão sem tamanho.Principalmente porque a questão não é somente ter uma ideia, mas ter certeza (de antemão, mesmo que ela mal tenha nascido) do sucesso dela. Essa fase de “dever de casa” é crucial, porque é aí que se deve responder questões-chave como: Esse produto é atrativo? Vai vender o suficiente e com boa margem para justificar o investimento em seu desenvolvimento e comercialização? Como deve ser o produto para que ele tenha um diferencial e seja bem-sucedido? Dá para desenvolver o produto a um custo razoável?

Uma ideia que é bem útil para reforçar a confiança das empresas e aliviar o risco do investimento é o chamado “funil da inovação”. É um modelo de trabalho conhecido como stage-gate investing, ou investimento em estágios.

Os pioneiros nesse tipo de visão foram os empreendedores que buscavam petróleo no deserto americano, que não tinham nenhuma certeza, ao perfurar poços, sobre quais produziriram petróleo e quais seriam fracassos retumbantes. Mais tarde, o processo foi aprimorado por venture capitalists (investidores de risco), que tateavam no escuro para tentar chegar ao lucro combinando fatores como tendências de mercado e comportamento dos investidores.

Há quatro etapas nesse processo.

Com o processo de investimento em estágios, uma ideia pode ser vetada em determinada fase se usarmos uma espécie de “seleção natural”. Assim, os maiores aportes financeiros são feitos somente depois que uma ideia já foi considerada, com folga, não arriscada.

Uma variação mais moderna do stage-gate é a bounding box, que é mais ou menos a delimitação de um espaço dentro do qual as pessoas podem se mover e criar, mas respeitando certos limites críticos, como orçamento, performance esperada do produto, data do lançamento etc. A equipe fica livre para ir adiante, desde que não extrapole a “caixa”. Se isso acontecer, o gerente do projeto deve avaliar se vale a pena continuar, e é essa avaliação que vai determinar uma reconfiguração da “caixa” e dos fatores limitadores.

O objetivo é que o funil e a caixa sirvam como filtro para separar as grandes ideias daquelas que são fracas, não combinam com a estratégia da companhia, não têm a ver com a marca ou simplesmente são vistas como de curta duração. Em suma, ao reduzirmos o risco, temos menos medo de falhar e com isso ficamos mais soltos e confortáveis para criar.

Postado por Mariela Castro