Itacaré 2009 (133)Bahia. Ela perambula no imaginário de brasileiros e estrangeiros, atiçando nossos desejos coletivos de passar nossos dias à sombra de um coqueiro na beira de uma praia paradisíaca, de vegetação exuberante e mar  azul, sob as bençãos de Nosso Senhor do Bonfim.

Como foi que a Bahia criou essa marca tão forte, que é a primeira imagem do Brasil lá fora (ao lado das belezas naturais e do carnaval-espetáculo do Rio de Janeiro)?

Este é um exemplo de um minucioso e contínuo trabalho de branding, construído pacientemente ao longo de décadas, e que contagia todos os baianos. Em Itacaré, por exemplo, o salvavidas Arilson, um negro alto, forte e ultra simpático, dá expediente  na Praia do Resende, diz que só saiu de lá “para ir a umas festas em Salvadorâ€, e não só fica de olho nos gringos pouco acostumados com as ondas fortes como também tira fotos, dá dicas de trilhas e locais para visitar e enaltece todo o tempo as belezas do lugar onde vive. Ou seja, é um garoto-propaganda em tempo integral, e aquilo vem de dentro da alma.

E a mesma coisa acontece com garçons, donos de pousadas, artesãos locais, motoristas de táxi e barqueiros. Sem falar nas gentes de outros lugares do Brasil que foram à Bahia passear e nunca mais quiseram voltar.

Uma marca se constrói com marketing bem elaborado, mas se não envolver todos os agentes do processo, soa artificial. São as pessoas, em última análise – com suas paixões, experiências e desejos – que efetivamente fazem de uma marca o que ela é.

De um produto a um destino turístico, a regra vale para todos. Sem a paixão contagiante de pessoas como Arilson, a Bahia seria apenas mais um belíssimo cartão postal brasileiro.

Postado por Mariela Castro