Bahia. Ela perambula no imaginário de brasileiros e estrangeiros, atiçando nossos desejos coletivos de passar nossos dias à sombra de um coqueiro na beira de uma praia paradisÃaca, de vegetação exuberante e mar  azul, sob as bençãos de Nosso Senhor do Bonfim.
Como foi que a Bahia criou essa marca tão forte, que é a primeira imagem do Brasil lá fora (ao lado das belezas naturais e do carnaval-espetáculo do Rio de Janeiro)?
Este é um exemplo de um minucioso e contÃnuo trabalho de branding, construÃdo pacientemente ao longo de décadas, e que contagia todos os baianos. Em Itacaré, por exemplo, o salvavidas Arilson, um negro alto, forte e ultra simpático, dá expediente  na Praia do Resende, diz que só saiu de lá “para ir a umas festas em Salvadorâ€, e não só fica de olho nos gringos pouco acostumados com as ondas fortes como também tira fotos, dá dicas de trilhas e locais para visitar e enaltece todo o tempo as belezas do lugar onde vive. Ou seja, é um garoto-propaganda em tempo integral, e aquilo vem de dentro da alma.
E a mesma coisa acontece com garçons, donos de pousadas, artesãos locais, motoristas de táxi e barqueiros. Sem falar nas gentes de outros lugares do Brasil que foram à Bahia passear e nunca mais quiseram voltar.
Uma marca se constrói com marketing bem elaborado, mas se não envolver todos os agentes do processo, soa artificial. São as pessoas, em última análise – com suas paixões, experiências e desejos – que efetivamente fazem de uma marca o que ela é.
De um produto a um destino turÃstico, a regra vale para todos. Sem a paixão contagiante de pessoas como Arilson, a Bahia seria apenas mais um belÃssimo cartão postal brasileiro.
Postado por Mariela Castro




4 Comentários
Mariela,
Muitos parabéns! Esta página está um luxo de elegância e bom gosto. Está linda. Não faço nenhum reparo. Este texto sobre a Bahia acabou sendo, para mim, uma ótima explicação para aquilo ali. Sempre pensei na Bahia e nunca consegui entender “o que é que a baiana” (e a Bahia, por extensão) tem (ou têm). Com o teu texto, entendi. Termino com mais um parabéns, e também um beijo,
Juva
Juva, muito obrigada! elogios assim, ainda mais vindos de um escritor talentoso como você, me enchem de orgulho e prazer! um beijo pra você também!
Concordo muito com você, no Brasil existem muitos lugares lindos e no nordeste a concorrência é ainda maior com tantas praias paradisÃacas, porém a Bahia ainda é um lugar de referencia para nós. Quando falamos de nordeste logo vem na cabeça à Bahia.
Acho que como toda a idéia nós devemos compra – la primeiro se quisermos que os outros a comprem é por isso que se torna contagiante e todos se envolvem, alguém amou a Bahia primeiro para que essas pessoas a amassem agora.
“Nós devemos comprar a ideia primeiro se quisermos que os outros a comprem” — excelente definição, Hebert. Isso funciona para a Bahia e para qualquer ideia empresarial.