23.01
2012

marketing | Tags: ,

Um amigo meu postou no Facebook a foto que havia feito no banheiro de uma lanchonete em Curitiba. As reações foram as mais diversas – de “ai, que nojo!” a “muito bom!”, passando por “você não comeu lá, não é?”.

Comentários à parte, eu resolvi usar a foto aqui (créditos para Rodrigo Fornos) para pensar na abordagem de marketing do tal bilhete.

Existe um estudo (que virou livro, intitulado Nudge) que mescla psicologia e comportamento econômico, elaborado por Richard Thaler e Cass Sunstein, que mostra como a chamada “arquitetura da escolha” pode direcionar comportamentos, especialmente nas áreas de saúde e bem estar. A ideia é simples: ao induzir as ações das pessoas, focaliza-se o bem comum.

Um exemplo foi o que o aeroporto de Amsterdam fez, ao pintar uma pequena mosca no fundo dos mictórios nos banheiros masculinos, bem ao lado do ralo. Instintivamente, os homens miram a mosca na hora de fazer xixi. O resultado? 80% menos respingos no chão, banheiros mais limpos por mais tempo. Isso é nudge.

O que o bilhete da lanchonete tentou fazer – ainda que de maneira meio torta – foi direcionar a ação do consumidor, um call to action para evitar uma situação indesejada. A linguagem chocante, embora tenha provocado nariz torto de muita gente, é proposital – porque ninguém fica indiferente. Ou você acha que, depois dessa, alguém ia jogar papel no vaso sanitário?

O problema desse tipo de comunicação mais agressivo é que muitos clientes tomaram tão ao pé da letra o recado que juraram nunca mais por os pés na tal lanchonete. Outros se divertiram com a sinceridade estilo soco-no-estômago do recado.

E você, o que acha? Comente!

Esse post foi escrito originalmente por Mariela Castro para o blog Amo MKT.

02.12
2011

branding , tendências | Tags: , ,

Se você encara as mídias sociais como canais primordialmente de caráter pessoal, para manter contato com amigos, a preocupação com o volume e a frequência do que você posta  não é tão relevante.

Se, por outro lado, você está tentando construir uma persona online, de modo a firmar sua trajetória profissional e mostrar sua expertise e competência, daí a presença online assume uma prioridade ímpar, pois é ela que vai refletir quem você é e como você deseja que as pessoas te percebam.

Mas não confunda personal branding com invenção ou fingimento. Não, você não vai criar um personagem para você mesmo, como se estivesse no Second Life. Alguns autores, entre eles Thomas de Zengotita e Neal Gabler, acreditam que a interação via mídias sociais criou um novo tipo de sociedade, em que a realidade “real” e a realidade “virtual” se confundem, em que é possível “construir” uma realidade e atuar nela como se estivéssemos em uma peça de teatro ou show de TV. Ou seja, que ninguém mais simplesmente É – a autenticidade foi substituída pelo que “achamos que devemos aparentar”.

A avaliação é instigante na medida em que sequer percebemos se estamos enveredando por uma quase “falsificação” da realidade. As novas formas de comunicação transformaram a vida em um grande show de entretenimento. Quem não quer mostrar seu lado mais glamuroso, inteligente, interessante? Seria isso uma forma de iludir nossos interlocutores?

Eu defendo uma posição mais simples: coerência e consistência. O que você mostra online deve ser reconhecido quando as pessoas te conhecem e te ouvem ao vivo. Especialmente do ponto de vista profissional, não há como representar um papel quando o assunto é face a face.

Um bom exemplo de coerência online-offline é o que faz o escritor e palestrante Eugenio Mussak em sua página no Facebook (sim, ele tem uma página, não um perfil, o que já delimita o tipo de interação a que está disposto). Seus posts, embora de conteúdo informal e às vezes fazendo referência a situações pessoais, sempre têm uma razão de ser, pois encerram alguma mensagem, alguma “moral da história”. Ou seja, ele continua sendo o Eugenio Mussak palestrante, falando para um público vasto e diverso, e não somente para quem ele conhece pessoalmente e tem relações de amizade.

Nossa tendência a complicar desaparece rapidamente quando entendemos os pontos básicos para estabelecer nossa presença online, que é alimento imprescindível para nossa credibilidade.

(originalmente publicado por Mariela Castro no portal Exame.com)

26.08
2011

consumo , mídias sociais | Tags: ,

A noção de que o ser humano é um ser conectado (homo dictyous)  faz com que a nossa percepção de mundo seja diretamente influenciada pelo outro.

Alguns de nossos gostos pessoais, por exemplo, podem ser por coisas que são mais desejáveis quando outros também as desejam. Em outras palavras, certas coisas nos parecem melhores e mais valiosas quando outros também têm a mesma percepção sobre elas, e isso torna-se ainda mais forte na medida em que é espalhado pelas redes sociais.

É nesse apelo que se baseia o consumo. O sociólogo Zygmunt Bauman afirma que “o que caracteriza o consumismo não é acumular bens (quem o faz também deve estar preparado para malas pesadas e casas atulhadas), mas usá-los e descartá-los em seguida a fim de abrir espaço para outros bens e usos.”

E quando a variedade não parece satisfatória, é a velocidade com que se troca as coisas que vai suprir a carência do consumidor. Você realmente precisa do último celular lançado? Pouco importa. Importa é manter-se em movimento. E com um  celular à mão, você nunca está fora ou longe, e sim envolto em uma teia de chamadas e mensagens.

Para Bauman, o tipo de relação que as pessoas da “vida moderna” estabeleceram entre si faz com que o fato de trocar mensagens é que seja importante, não o conteúdo dessas mensagens em si.

Como as redes sociais permitem esse “estar perto” mesmo estando longe, e permitem também cortar essas conexões a qualquer tempo, pode-se cair no jogo fácil de ficar online o tempo todo mas sem realmente compartilhar conteúdos relevantes.

Para muitos, pode parecer simples diversão. Para os mais alertas, é puro desperdício de tempo. A internet é uma ferramenta rica demais para que não saibamos aproveitar bem todo o conhecimento que ela nos possibilita.

18.08
2011

branding , estratégia , mídias sociais | Tags: , , , ,

Uma das coisas mais complicadas durante a elaboração do business plan de um negócio é pensar em como será seu crescimento. Como gerenciar a expansão, captar novos recursos, reinvestir, conquistar novos clientes e mercados – tudo isso sem perder a identidade da marca, cuidando da imagem, da comunicação e do relacionamento com os consumidores.

A exposição da marca nas mídias, tradicionais ou sociais, online e offline, precisa ser cuidadosamente acompanhada e construída. O risco número 1 é esquecer que uma estratégia de branding é uma soma de vários canais ou ações:

1. Construir comunidades e relacionamentos
2. Aprimorar o conceito da marca
3. Ativar comunidades para efetivamente agir
4. Gerar simpatia em relação à marca

Parece fácil? Não. E de fato não é, pois requer perseverança e método, dedicação e comprometimento, acompanhamento e ajustes contínuos. Requer entender o consumidor, como ele se comporta (e não só no universo online) e não ficar parado no tempo. O fato é que não é possível dirigir o que acontece com a sua marca no ambiente de internet – embora muitas empresas ainda acreditem nisso. (mais…)