21.07
2014

inovação , mídias sociais | Tags: , , , , , ,

Uma piada antiga diz que, quando h√° rel√Ęmpagos no c√©u, os argentinos olham para cima e sorriem, porque Deus est√° tirando fotos deles com flash. A brincadeira, que faz parte do relic√°rio brasileiro de piadas sobre a ambi√ß√£o dos vizinhos hermanos, pode ter um qu√™ de verdade. Pelo menos em se tratando de um argentino espec√≠fico, ele est√° olhando para o alto e sorrindo. Domingo Montanaro, 31 anos, quer chegar l√° e j√° tem motivos para acreditar que isso ser√° poss√≠vel.

Em mar√ßo deste ano, Montanaro lan√ßou, no prestigiado SXSW — evento de m√ļsica, cinema e tecnologia no Texas (EUA) onde despontaram Foursquare e Twitter — a rede social Gabstr, e j√° anunciou, sem mod√©stia, que pretende que sua cria√ß√£o seja um futuro Twitter ou Whatsapp, mirando o sucesso de Mark Zuckerberg e o Facebook. Em 15 dias, o n√ļmero de usu√°rios j√° chegou a 1.500. ‚Äú√Č pouco, considerando que n√£o tivemos ainda nenhuma visibilidade e que o aspecto geolocaliza√ß√£o divide os usu√°rios‚ÄĚ, diz o fundador. ‚ÄúMas acreditamos no crescimento org√Ęnico, √† medida em que mais pessoas forem aderindo‚ÄĚ.

Com o mote ‚Äúa adrenalina da proximidade‚ÄĚ, o Gabstr √© um aplicativo para iOS e Android (vers√£o somente em ingl√™s, por enquanto) que pretende integrar as pessoas que est√£o geograficamente perto em torno de interesses em comum. Agrupadas em hubs, elas podem criar grupos e trocar ideias e dicas sobre as mais variadas prefer√™ncias — as feiras de rua, um novo bar ou a programa√ß√£o cultural que s√≥ vai rolar naquele fim de semana, mas sempre na regi√£o (hub) em que o usu√°rio est√°. ‚ÄúA ideia √© estimular encontros reais, de pessoas que t√™m interesses em comum e que est√£o perto uma da outra e nem sabem‚ÄĚ, diz Montanaro.

Por enquanto, uma das limita√ß√Ķes √© que a pessoa n√£o consegue enxergar o que acontece em outro hub do outro lado da cidade, por exemplo. Assim, deixa de ficar sabendo de eventos, ideias ou papos que poderiam lhe interessar, ficando restrita ao que acontece em uma √°rea muito pequena √† sua volta.

√ďcio criativo

A ideia surgiu na beira de uma piscina de um hotel em Porto Rico, no Caribe. Montanaro, expert em intelig√™ncia cibern√©tica e seguran√ßa da informa√ß√£o, tinha ido dar uma palestra em um evento e perdeu o avi√£o de volta. Em seu dia ocioso √† espera do pr√≥ximo voo, reparou que, na piscina, todo mundo estava grudado em seus celulares, falando e mandando fotos para pessoas que estavam a centenas de quil√īmetros de dist√Ęncia. ‚ÄúPor que n√£o conectar as pessoas que est√£o juntas aqui?‚ÄĚ, pensou.

Vinte dias depois, ele já tinha pedido demissão da empresa norteamericana em que trabalhava e passou os dois meses seguintes enfurnado em casa, pesquisando e dando forma à ideia. Chamou nove amigos, que compareceram como investidores, e em maio de 2013 se mudou para Maceió por três meses. Foi lá que ele encontrou os cinco programadores, liderados pelo alagoano Julio Auto, 28 anos, chefe de tecnologia do Gabstr, que durante oito meses trabalharam no desenvolvimento do aplicativo. Hoje a equipe tem mais três pessoas.

Bate-papo e geolocalização

Olhado por diferentes √Ęngulos, o Gabstr mescla um pouco de v√°rios aplicativos e traz outras funcionalidades. Do Twitter e do Whatsapp, oferece o chat em tempo real (gab √© uma palavra antiga para chat), com a diferen√ßa que voc√™ n√£o precisa ‚Äúseguir‚ÄĚ ningu√©m nem ter o n√ļmero de celular da pessoa para interagir, apenas estar geograficamente perto.

De aplicativos baseados em geolocaliza√ß√£o, como o Foursquare (recomenda√ß√Ķes e cr√≠ticas de restaurantes, pratos e endere√ßos bacanas na regi√£o em que o usu√°rio est√°) e o Waze (em que as pessoas compartilham informa√ß√Ķes em tempo real sobre o tr√Ęnsito na cidade), invocou o esp√≠rito colaborativo dos usu√°rios, que trocam ideias sobre coisas interessantes acontecendo na √°rea.

O Gabstr vai tamb√©m se apropriar da reputa√ß√£o que as pessoas j√° t√™m em redes sociais consagradas, incluindo o Facebook, para referendar a ‚Äúqualidade‚ÄĚ e a relev√Ęncia de seus membros. ‚ÄúDesenvolvemos um algoritmo exclusivo para determinar a relev√Ęncia dos usu√°rios e a tra√ß√£o de determinado assunto para posicion√°-los mais acima na lista de grupos de discuss√£o ativos em determinado hub‚ÄĚ, explica Montanaro.

Eles n√£o querem ser brasileiros

Os investidores s√£o brasileiros, os oito funcion√°rios s√£o brasileiros, mas a √ļltima coisa que o Gabstr quer √© ser identificado como uma startup brasileira. Montanaro decidiu que quer ser uma empresa do renomado Vale do Sil√≠cio, meca da tecnologia, e √© para l√° que toda a trupe deve se mudar em breve. ‚ÄúInvestidores olham com mais carinho para empresas de tecnologia instaladas l√°. O Brasil ainda n√£o tem tradi√ß√£o nessa √°rea e n√£o queremos perder oportunidades de encontrar investidores‚ÄĚ, justifica.

Captar dinheiro de fundos de venture capital é o foco para os próximos seis meses. A estimativa é que um aporte de 1,5 milhão de dólares dê gás suficiente para tornar o aplicativo mais robusto, com novos recursos como incluir fotos e vídeos e ampliar o alcance do radar do usuário, de modo que ele possa visualizar também o que está acontecendo em um hub do outro lado da cidade, e não apenas naquele em que está geograficamente.

At√© agora, o investimento passou de US$ 300 mil, embora o valor exato seja guardado a sete chaves. O fato de ser argentino ‚Äď embora tenha trocado o pa√≠s pelo Brasil aos dois anos de idade ‚Äď deu uma ajudinha extra a Montanaro: um acordo entre EUA e Argentina estabelece que um investimento m√≠nimo de US$ 300 mil naquele pa√≠s garante um visto de resid√™ncia por dois anos. Se Montanaro fosse brasileiro, o valor exigido pularia para US$ 1 milh√£o.

Do ponto de vista comercial, o Gabstr imagina que poderá atrair anunciantes com base no modelo de audiência das TVs e rádios. Lojas, prestadores de serviço e outros negócios poderiam anunciar em suas áreas de abrangência, dentro dos hubs. Quanto mais pessoas em determinado grupo, discutindo determinado assunto, mais caro seria anunciar naquela região.

Por enquanto, um time de voluntários e entusiastas (os beta testers) estão provendo feedback gratuito aos desenvolvedores do aplicativo, que deve lançar uma versão aprimorada daqui a três meses. Se o Gabstr vai se tornar o próximo queridinho do mundo digital, e Montanaro o próximo milionário do Vale do Silício, só o tempo dirá.

19.05
2014

branding , cultura corporativa , estratégia , mídias sociais | Tags: , , , ,

Informa√ß√£o demais, tempo de menos, e uma dificuldade enorme de interpretar os sinais verdadeiros no meio de uma avalanche de posts, tweets, coment√°rios, fotos e ‚Äúpins‚ÄĚ que recheiam as m√≠dias sociais e todos os seus canais. A vida de uma empresa no mundo hoje parece mais √°rdua do que em d√©cadas passadas, e tudo porque o consumidor est√° em todo lugar, o tempo todo, e acompanh√°-lo de perto √© miss√£o s√©ria e cara para as marcas que realmente querem chegar mais perto desse cliente.

Quantas empresas conseguem ter um olhar para os pequenos sinais, aqueles mais discretos, que muitas vezes n√£o entram nas estat√≠sticas apontadas pelo monitoramento dos canais online? S√£o quase impercept√≠veis, mas fundamentais para apontar caminhos que os concorrentes podem n√£o ter visto ‚Äď nichos interessantes para investir –, perceber situa√ß√Ķes-queixa dos clientes e antecipar solu√ß√Ķes para problemas grandes ou pequenos. (mais…)

30.10
2013

cultura corporativa , estratégia , inovação , mídias sociais , tendências | Tags: , , , , , ,

As m√≠dias sociais alteraram o modo como nos relacionamos com o mundo, como obtemos informa√ß√£o e como interagimos com as pessoas. Nas corpora√ß√Ķes, existe uma nova organiza√ß√£o do trabalho, baseada em colabora√ß√£o, compartilhamento e acesso √† informa√ß√£o.

Por aproximarem as pessoas e facilitarem os processos, nunca a comunica√ß√£o e a tecnologia foram t√£o vitais para o sucesso empresarial. Mas que import√Ęncia t√™m afinal as redes sociais e outras m√≠dias digitais para o crescimento e a perpetuidade de um neg√≥cio? Como ressaltar as vantagens competitivas e ao mesmo tempo controlar conte√ļdo, reputa√ß√£o, riscos, vulnerabilidades? Como a √°rea de Tecnologia da Informa√ß√£o (TI) pode colaborar para proporcionar essa integra√ß√£o, ao mesmo tempo em que lida com pessoas, demandas, gest√£o de riscos, oportunidades e desafios? (mais…)

22.05
2013

branding , comunicação corporativa , estratégia | Tags: , , , ,

Reputa√ß√£o √© o tipo de coisa que todo mundo s√≥ lembra que existe quando acontece uma crise e a imagem da pessoa ou da empresa desce pelo ralo. Em tempos de ‚Äúbonan√ßa‚ÄĚ, o comportamento natural √© ir levando sem muita preocupa√ß√£o. Mas por que pouco se pensa em construir de forma s√≥lida o seu capital social?

Do ponto de vista corporativo, 87% das empresas em todo o mundo ainda est√£o no primeiro ter√ßo de sua jornada para estabelecer um processo consistente de gest√£o de sua reputa√ß√£o. Mais da metade n√£o passou da etapa de organizar como mensurar e gerir esse importante ativo intang√≠vel e apenas 2% podem dizer que a gest√£o da reputa√ß√£o est√° totalmente integrada √† sua estrat√©gia de neg√≥cios de longo prazo e que merece um naco de seus investimentos. (mais…)